11 de ago de 2008

Trautonium e os Ribbon Controllers

Por Silas Cordeiro Pascoal. Fevereiro de 2010. 
Ao citar, favor identificar o autor e linkar a fonte.
Link curto:  http://migre.me/3XNmp


SUMÁRIO (para o leitor se localizar neste longo artigo):
  • Introdução: WTF???
  • O que tem de especial?
  • Fabricação, restauração e vendas
  • Controladores a la trautonium
  • Instrumentos pós-trautonium com som próprio
  • Instrumentos radioeletrônicos trautonísticos
  • Figuras históricas: Oskar Sala e sua turma
  • Mais mídia trautonística: filmes, discos e sites [+bônus]



VERSOS PARA INSPIRAR:
O Theremin Vox da Rússia
O Trautonium da Alemanha
O Ondas Martenot da França
O Órgão Hammond dos Estados Unidos

As harpas de Deus no céu
E os instrumentos eletrônicos na Terra



INTRODUÇÃO: WTF???

O TRAUTONIUM é um instrumento eletrônico simples, monofônico (posteriormente conseguiu gerar 3 notas no máximo), inventado por Friedrich Trautwein e apresentado ao mundo em 1930 na Alemanha. É bem anterior ao sintetizador e não produz sons musicais que um sintetizador não faria. É primitivo, está junto dos demais "instrumentos radioeletrônicos", como theremin e ondas martenot. Produz o som por válvulas (posteriormente transistors), e controla timbres de diversas formas (depois teve inclusão de filtros, controle de envelope, wah-wah, etc. e inventou os osciladores subarmônicos).

http://pianoweb.free.fr/synthetiseurs/trautonium-2.jpg


O QUE TEM DE ESPECIAL?


O que torna o trautonium tão especial já que quase todo seu som pode ser sintetizado com facilidade? Ora bolas, é sua expressividade perfeccionista e a "tocabilidade", pra nenhum controlador de última geração botar defeito.

Ele é tocado por um "manual" que consiste em uma tira metálica com uma fita ou fio sobre si; ao pressionar o fio/fita com o dedo sobre a barra metálica você completa o circuito e obtém uma frequência/nota.

Quando mais forte pressiona, o manual afunda e aumenta o volume - o manual volta pra posição normal quando você solta (tem molas). Então tem dinâmica sutil e vibrato a gosto na ponta dos seus dedos. Além do mais, permite glissando/portamento pois é microtonal assim como guitarra fretless ou violino. Imagine o prazer mental de tocar um trautonium!

Com a adição de mais um manual, ficou possível ter duas notas (uma em cada manual), e posteriormente, com a adição de duas linhas sobre o segundo manual, o inferior, ficou possível fazer nele duas notas, uma em cada fio, com o mesmo volume, podendo servir por exemplo pra companhamento em terças, etc. Ou seja, no máximo, um trautonium faz três sons simultâneos.

Pra ficar mais fácil de achar as notas naquela tira metálica (o manual) colocavam linguetas de couro ou tirinhas de papel ou ainda pintavam com tinta preta, como se fossem trastes. Como na imagem a seguir (dois manuais):

http://www.trautonium.org/bilder/wolfgang2.jpg
(para entender a disposição das línguas de couro, clique aqui)

Um instrumento de antes da década de 30, com tantos recursos expressivos, uma técnica bizzara misturando violino e piano, e seus sons eletrônicos diversos não é nada pra alguém desprezar - mesmo que hoje com sintetizadores e controladores de última geração possamos fazer quase isso tudo que eles faziam desde antes de 1930, devemos reconhecer o valor histórico pelo menos. Vou demonstrar a relevância do trautonium ao longo do artigo.

Aliás, antes de Moog ser nascido Sala já fazia sons eletrônicos incríveis no trautonium, que vou mostrar ao longo da postagem. Cada instrumento ao longo da história é único, não tem isso de "melhor" ou "superior", quando falamos de características sonoras e diferentes expressividades. Tudo tem seu lugar, sua utilidade e seu momento. E a gente pode controlar isso tudo, afinal, somos artistas.

Seria muita ingenuidade, pra não dizer arrogância, pensar que os antigos instrumentos eletrônicos analógicos não tinham nada de especial que se perdeu no processo de "digitalização" do mundo. Devemos questionar as vantagens e desvantagens de todo o processo.


FABRICAÇÃO, RESTAURAÇÃO E VENDAS

O trautonium só foi produzido industrialmente pela Telefunken (Alemanha), por poucos meses entre 1933 e 1934, apenas umas 100 unidades, um único modelo chamado "Volkstrautonium" com 1 manual (monofônico), chamado vulgarmente de "clássico" por alguns.

Fora isso, muitos fabricam trautoniums artesanais sob encomenda até os dias de hoje. Olhem sempre o eBay, crianças! Os fabricantes cobram a partir de 900 dólares por uma jóia dessas. Fabricantes malucos estão soltos por aí - restauradores também. Mas é tudo muito raro, são oportunidades que passam voando. O máximo que podemos conseguir hoje é um trautonium monofônico semelhante ao da Telefunken, mais ou menos assim:



Reconstruir a partir dos originais históricos que estão em museus seria ótimo, mas não há tanto interesse nisso, infelizmente. Muitos poucos amam o trautonium pelo que ele é.

Para que eu possa demonstrar o real valor do trautonium, agora vamos passear pelos controladores derivados do trautonium (inclusive os que possuem som próprio), depois pelos instrumentos da época com tocabilidade ou funcionamento semelhante, para depois chegar no trautonium em si novamente.



CONTROLADORES A LA TRAUTONIUM

Que tal um "sistema de trautonium" com "controlador fretless"? Aqui temos um excelente projeto de emulação do trautonium:

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d1/Ear_group_2_%40_AHBA2005.jpg
Informações: http://www.doepfer.de/traut/traut_e.htm

Ou mais simples:

http://www.doepfer.de/R2M_all.jpg
R2M, Doepfer Midi Ribbon Controller
+Doepfer Trautonium System
Encontramos demos pelos youtubes da vida.

Controladores inspirados pelo trautonium em um ou outro aspecto temos muitos por aí. Na maioria das vezes são o que chamamos de "Ribbon Controller". São totalmente personalizáveis, têm comunicação MIDI e recursos variados... Todavia os controladores de hoje não possuem a mesma expressividade do trautonium porque a "tocabilidade" é diferente, mecanicamente e esteticamente falando, e a geração de som também. Simples assim.

Pode parecer mas não é trautonium de verdade... Se é pra tratar de uma antiguidade, melhor replicar os originais em vez de recriar desinformadamente com tecnologia atual. Pra produzir ruídos e efeitos especiais raros, que são a característica distintiva do trautonium, não adianta ter um pseudo-trautonium que é na verdade um sintetizador tocado por um "ribbon controler" (controlador com aquela barrinha metálica, o manual do trautonium). Por exemplo o trautonium original possui uma variação sensual de timbre nos registros, do grave característico ao agudo; já as imitações são frias e desinteressantes nesse quesito.

Se é pra aglomerar recursos e tocar por um controlador fashion, sem pensar em imitar trautonium, melhor usar logo um Haken Continuum ligado ao computador, ora bolas! Eu particularmente considero o Haken Continuum o melhor controlador derivado do trautonium. Eis o site do produto: http://www.hakenaudio.com/Continuum/
E algumas fotos:

http://media.createdigitalmedia.net/cdmu/images//2007/06/continuum.jpg
http://img.youtube.com/vi/Mrmp2EaVChI/0.jpg
Você pode colocar sobre ele tirinhas pretas como se fossem teclas pretas e usar como um teclado normal. Parece que agora já tem até som próprio.

É claro, as imitações de trautonium hoje são muito mais confortáveis, versáteis e fáceis de tocar, seus controles digitais e sensores ópticos são muito precisos, mas nem de longe tem aquele som clássico e aquele desafio estético, ou aquela expressividade em alguns aspectos. Trocar um trautonium de verdade por emulações seria como trocar guitarras elétricas (com cordas) por guitarras eletrônicas (sem cordas), em termos de sonoridade e tocabilidade. Algo tipo: analógico versus digital (no theremin especialmente).

Não estou dando juízo de valores, declarando melhor ou pior, estou apenas destacando as diferenças e deixando claro que tudo tem o seu lugar, tudo é insubstituível e apenas parcialmente emulável. Os instrumentos influenciados pelos eletrônicos antigos devem ser usados para outros fins, não pra imitar trautonium ou outros instrumentos da época. Mesmo porque alguém poderá pensar que um controlador com portamento é um trautonium de verdade - como já vemos acontecer. Como se em 1930 existisse essa tecnologia.



INSTRUMENTOS PÓS-TRAUTONIUM COM SOM PRÓPRIO

Eu não poderia deixar de citar os teclados! Se você é tecladista, duvido que você nunca sofreu a influência direta do trautonium, ou seja, nunca viu um equipamento eletrônico fazer portamento através de uma "barrinha" sobre a qual se arrasta o dedo (o próprio mouse touchpad!). Aposto que você já ouviu algo tocado num controlador/sintetizador que contém uma barra sem trastes, incluindo Yamaha CS-80, Korg Prophecy, alguns Kurzweil, alguns Moog...

Aliás é com teclados/controladores assim que muita gente como a banda Pato Fu cria sons falsos de theremin, usando qualquer soft-synth, e até engana o povão que não entende de theremin. Eu mesmo, inicialmente, achava que era provavelmente um theremin que passou por muitos filtros e pitch-corrector (tudo é possível). Mas se eles não tem nem um thereminista como é que vão ter tantos recursos pra fazer um theremin ter aquele som senoidal limpinho? Instrumentos derivados da idéia da tocabilidade trautonística são usados muito frequentemente para imitar theremins, tanto como controladores quanto tendo som próprio, pois todos eles permitem glissando/portamento e vibrato, embora jamais atinjam a expressividade ou sonoridade específica do theremin. Falando nisso...

http://www.therevox.com/et-1/et-1-2.jpg
http://www.tompolk.com/Tannerin/450complete.jpg
O Tannerin ou electro-theremin (foto acima) foi desenhado explicitamente para imitar theremins porém com som senoidal e filtrado e um teclado desenhado "de enfeite", sobre o qual se arrasta uma barrinha glissando sempre. O tannerin ficou famoso por ser usado por The Beach Boys na música Good Vibrations. Eles foram um dos primeiros a usar um instrumento que imita o theremin, então tem muita gente que acha que o Tannerin é um theremin de verdade, já que na época não era moda fazer [tentativa de] imitação de theremin em outros instrumentos (note no vídeo a seguir que o glissando não é thereminístico e o timbre muito menos):


Também com som próprio (um sintetizador comum, analógico, com saída CV/MIDI, low pass filter, etc.), temos o Persephone. A Eowave fabricava até algum tempo atrás, custava mais de mil libras esterlinas e está agora fora de fabricação. Explicitamente ele imita os primitivos, diz o fabricante, especificamente o trautonium e o ondas martenot, como vou explicar a seguir.
http://img85.imageshack.us/img85/2073/eowave20persephone.jpg
O manual é muito semelhante ao braço do theremin cello, que vou descrever mais abaixo. Embora possa ser tocado como um teclado normal (sensitivo ao toque no manual, como o trautonium), pode ser usado no modo da foto acima também, em que a pressão no botão da esquerda dá o volume, semelhante ao Ondas Martenot, que também vou descrever abaixo. Ou seja, é uma boa emulação da tocabilidade (jamais do som) do Ondas Martenot, e pode emular também um trautonium e botar qualquer tannerin no bolso. Na prática, é apenas um tannerin super evoluído, nada mais que isso - claro, sem considerar que pode ser usado como controlador também. Se tiver interesse no Persephone, sugiro que siga os links pra página do produto 1, página do produto 2. Ambas contém samples e informação detalhada em inglês, se quiser ler, quem sabe encontre um usado ou um clone por aí.

Isso sem contar os brinquedinhos Otamatone, que são colcheias que cabem na palma da mão, e na haste se arrasta o dedo pra fazer notas, grave em cima agudo embaixo, e a cabeça da nota, quando pressionada, solta o som  (link - video). Tem também em tamanho família [link].

Os instrumentos radioeletrônicos, anteriores a 1940, influenciaram nossos instrumentos eletrônicos e controladores até hoje, universalmente. Ouvimos a influência dos velhinhos como trautonium todo dia sem saber - acabei de provar isso aqui agora. Mas vamos voltar à origem, história:



INSTRUMENTOS RADIOELETRÔNICOS TRAUTONÍSTICOS

Os instrumentos eletrônicos primitivos, os radioeletrônicos em especial, não eram controladores - tinham som próprio, específico, e as barrinhas/fitas não eram tão personalizáveis, e nem existia MIDI. Era simples assim: pressionando a barra completava o circuito.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/9/9f/Ondes-ruban.jpg

O Ondas Martenot (foto acima) parte do mesmo princípio porém substitui visualmente a "barra" por um teclado móvel (totalmente funcional, e ainda permite vibrato, arrastando-o delicadamente para os lados) e um anel preso a um fio, aí conforme você arrasta o anel preso ao fio sobre o teclado ou uma barra com marcações abaixo do teclado, ele vai glissando, sem precisar de fato pressionar barra nenhuma. Assim como existem imitações do trautonium, existem imitações do Ondas como o teclado French Connection. A foto a seguir é do thereminista Claude-Samuel Lévine tocando um Ondas Martenot sem teclado. Isso sim é garra.

http://1.bp.blogspot.com/_4aduPNm0tyk/TBWqmT9gbyI/AAAAAAAAA_w/aQOAcFEoyi8/s1600/2000timbres.jpg

Na verdade, os dois instrumentos eletrônicos originais que usaram esse sistema de fita ou barra que você pressiona com o dedo sem nenhum tipo de marcação foram o trautonium e o Theremin Cello. Bem, o inventor do theremin era violoncelista, era de se esperar que ele criasse uma versão eletrônica pro violoncelo - e ele fez sem cordas, um instrumento monofônico com uma barra que se toca no meio das pernas como um violoncelo, gerando um som mais ou menos senoidal e grave. A sensação visual é de uma guitarra sólida sem cordas, sendo que no lugar das mesmas tem uma fita igual um manual de trautonium, porém com som de theremin no registro mais grave:

http://www.thereminvox.com/ezimagecatalogue/catalogue/phpcpA7ZI.jpg
Não, não é uma guitarra elétrica sólida... O Dr Theremin foi o inventor desse design "futurista" muito antes de qualquer guitarrista de Rock nascer. Mais informações e detalhes sobre o theremincello aqui:
http://teremin.blogspot.com/2009/10/varese-e-theremin.html



Agora vamos voltar ao Trautonium em si.
(Fotinha do Trautonium 2000)
[small.jpg]


FIGURAS HISTÓRICAS: OSKAR SALA E SUA TURMA

Alguns compositores relevantes que podemos citar são os trautonistas Harald Genzmer e Paul Hindemith. Normalmente conhecemos o Hindemith por seu método de teoria musical, estudo de ritmos, etc. e também por suas composições bizarras pra instrumentos raros. O célebre Richard Strauss brincou muito com trautonium. Vamos ao co-inventor e principal nome na história do instrumento.

Oskar Sala estudou com o famoso Hindemith no Conservatório de Berlin e também trabalhou junto do inventor do trautonium, Friedrich Trautwein. Até sua morte em 2002, foi a maior referência viva na performance e aperfeiçoamento do instrumento, tendo ganhado e gravado concertos, trilhas sonoras, etc. Sem Sala o trautonium não evoluiria e não ganharia respeitabilidade artística. Sem contar que ele inventou os osciladores subarmônicos (Subharmonic Oscillator), ou seja, os harmônicos ao contrário (simetricamente pro grave em vez de pro agudo), um tipo novo de síntese. Ouça aqui a escala subarmônica, inventada dentro do trautonium:
http://jakobmjensen.dk/musikkurser/historie/generelt/keys/sub.wav

Segundo Peter Namlook (2002), que teve contato com Sala desde os 15 anos, ele não somente foi um dos gurus inovadores da música eletrônica, foi realmente um cara generoso, sempre disposto a ensinar e compartilhar com os mais jovens, embora ninguém tenha conseguido superá-lo. Não foi à toa que até depois dos 90 anos de idade ele continuava estudando e tocando seu trautonium - e caminhando longas jornadas diariamente. Uma vida de dedicação. Infelizmente Sala na velhice extrema não podia construir instrumentos nem ensinar - disse que se os jovens quisessem, que vissem seus instrumentos em museus e se virassem. Mas enquanto pôde, ensinou sim, o básico do trautonium, não os segredos de sua máquina suprema, o Mixtur-Trautonium. Não aproveitamos Sala em vida como deveríamos. Aliás, o trautonium aparentemente morreu com Sala no séc. XX, mas novos interessados estão surgindo e tentando reviver toda essa riqueza.

Vamos assistir o Oskar Sala ao vivo em Frankfurt em 1993 (reparem a precisão dos dedos dele nas barras metálicas do trautonium, com polifonia de três sons, dois deles no manual inferior):

Todos os efeitos especiais e trilha sonora nesse video (abertura/encerramento) são de trautonium.

Concertino pra Trautonium [monofônico] e Cordas, do Hindemith (1931), movimento 3:


Links para mais audio de trautoniums de verdade, sons que nenhuma emulação atual cria:

Composições de Oskar Sala, tocadas por ele mesmo:
Elektronische Impressionen Nr.1
http://www.youtube.com/watch?v=a5e1CBpDch0
Elektronische Impressionen Nr.2
http://www.youtube.com/watch?v=YJoRIlb6kTs
"Concertando rubato" da Elektronische Tanzsuite:
http://www.youtube.com/watch?v=yFzpcOf2OkU
Dá pra acreditar que o cara fez isso ao vivo com duas mãos? http://jakobmjensen.dk/musikkurser/historie/generelt/keys/trautoni.mp3
Tem outra: http://jakobmjensen.dk/musikkurser/historie/generelt/keys/salaelekimpr9.mp3



MAIS MÍDIA TRAUTONÍSTICA: FILMES, DISCOS E SITES

Ah, e é claro, os filmes antigos (até os anos 50) de ficção científica / terror com trilha eletrônica são sempre bons. Trautonium, theremin, novachord nos efeitos sonoros, e tudo preto e branco ou no máximo technicolor. Procure "The Birds", filme de Hitchcock, de 1963. Os efeitos sonoros são de trautonium, inclusive os passarinhos. Aqui tem um trecho do efeito sonoro de trautonium pro vôo dos passarinhos do capeta: http://jakobmjensen.dk/musikkurser/historie/generelt/keys/schlagwerk.wav

http://img62.imageshack.us/img62/1222/21bducevw21mk7e28kgrhqy.jpg

Eu só ouvi até hoje 2 albuns completos do Oskar Sala: o "Subharmonische Mixturen" (1997), que contém: Peça lenta pra orquestra e rondó pra Trautonium (Hindemith), composições do Oskar Sala entre 1992-95 (caprichos em rubato, cânone, tema e variação, trio, glissandi, etc) e um trecho da trilha de "Der Würger von Schloss Blackmoor" (1963); e o outro é o "Electronic Virtuosity: Resonazen" (1992), com peças pra diversos sons eletrônicos além do trautonium - especialmente sons percussivos. Rapidshare, se quiser: Selected Sound SS 9009 - Oskar Sala - Electronic Virtuousity - Resonanzen (1970). Tem tudo à venda no Amazon.com. Aqui tá a discografia do Sala: http://www.trautonium.de/work.htm

Documentário sobre o trautonium (em alemão):
http://www.youtube.com/watch?v=tFLCkbSzrq4
http://www.youtube.com/watch?v=rQaFEEoiH2k

Para encontrar trautoniums de verdade no youtube, o melhor caminho é esse (busca por tag, pode clicar): http://www.youtube.com/results?search_query=trautonium&search=tag

http://www.trautonium.org/bilder/wolfgang1.jpg
Wolfgang Müller, trautonista clássico, considerado sucessor de Oskar Sala: http://www.trautonium.org/

Samples e demonstrações (audio) de trautoniums históricos:
http://www.trautonium.de/downloads.htm
http://120years.net/machines/trautonium/index.html

Dois sites históricos confiáveis em inglês/alemão:
http://www.trautonium.com/
http://www.trautonium.info/

Myspaces informativos:
http://www.myspace.com/thetrautonium
http://www.myspace.com/oskarsala

Mais história:
http://www.oskar-sala.de/
http://jakobmjensen.dk/musikkurser/historie/generelt/elektro.htm


Programinha livre para Windows: Neumixturtrautonium VSTi
http://extra.schematron.com/Traut1-half.png
VST pra quem quer emular o trautonium de Sala incluindo osciladores subarmônicos e muito mais, informações e download: http://extra.schematron.com/Neumixturtrautonium.html




IMAGEM BÔNUS: Primeira página do Concerto para Trautonium e Orquestra de Harald Genzmer. Clique na partitura pra ampliar.
http://www.rieserler.de/downloads/Genzmer_KonzertTrautoniumOrch_k.gif

Hammond Novachord

O primeiro sintetizador polifônico comercial foi o Hammond Novachord, produzido entre 1938 e 1942. É um sintetizador no sentido atual e prático do termo mesmo: operava por síntese subtrativa, com suas 163 válvulas e mais de mil capacitores. Polifonia de 72 notas. Permite controle de envelope ADSR, vibrato, dentre várias outras possibilidades sonoras surpreendentes.



O Novachord não obteve sucesso devido à Segunda Guerra, após a qual outras tecnologias ganharam popularidade, dentre outros motivos divesos. O novachord era grande, pesado e frágil. A cultura da época que não estava "pedindo" um sintetizador - o novachord era visto apenas como um meio de imitar outros instrumentos, e nem 1% de suas possibilidades sonoras eram exploradas simplesmente porque não achavam necessário ou tinham preconceito.

Acima de tudo, Laurens Hammond se focou nos órgãos e não nos sintetizadores. Doutra forma o Novachord teria a mesma fama do Órgão eletromecânico Hammond - ou muito mais fama, pois não era um órgão e sim um legítimo sintetizador, com muito mais recursos e possibilidades sonoras infinitas. A verdade é que o grande Robert Moog estaria $#%*&@ se Laurens Hammond tivesse se especializado em sintetizadores e não em órgãos!


E HOJE?


Recentemente um interesse em restaurar os Novachords estourou em vários locais (claro, no Hemisfério Norte desse planeta. Até onde eu sei não chegaram novachords no Brasil). Alguns novachords já foram totalmente restaurados - inclusive com peças da época (válvulas, etc), sem substituições por tecnologia atual. Já estão surgindo mais e mais sites especializados, desde simples fãs como eu, até os artistas dedicados a reviver esses instrumentos riquíssimos através da restauração e estudo de performance (gravando e vendendo CDs!), exemplos:
http://www.novachord.co.uk/
http://www.hollowsun.com/HS2/products/novachord/index.htm

No site do novachordista Paul Cirocco, que toca no programa Spellbound da Cygnus Radio, ele revela passo a passo, com explicação detalhada e muitas fotos, o processo de restauração dessa pérola de 70 anos de idade menosprezada pela geração solid-state, num processo LONGO E CARO:
http://www.discretesynthesizers.com/nova/intro.htm



QUAL O SOM DISSO AFINAL?


No clip abaixo você poderá ouvir vários samples do Novachord, exploração do envelope ADSR, etc. - duvido que você sabia que esse tipo de síntese era possível na década de 30:


Assim como o theremin e o trautonium, o novachord foi usado em trilha sonora de ficção científica, terror, etc desde sua invenção lá na década de 30. A seguir, trechos do filme "Spare A Copper" (1940) com George Formby e Dorothy Hyson, novachord tocando:


Como estamos tratando de instrumentos eletrônicos primitivos, ou seja, anteriores aos circuitos integrados e transistors, não é de se estranhar que a "nova geração" de novachordistas acaba por vezes convidando um thereminista pra tocar junto, mesmo hoje em dia os theremins sendo transistorizados. Veja o seguinte duo theremin-novachord, simplesmente maravilhoso: uma composição original entitulada "Vôo Alto", para novachord emulando strings e theremin:

Se quiser saber mais sobre a inspiração dessa música e ver uma animação feita pelo compositor para ela, o link é esse: http://www.youtube.com/watch?v=fhLlUKAbdSM

Como bônus, vou mostrar a vocês uma gravação de 1950, raridade que vale ouro. Música "Eli, Eli" num Órgão Hammond primitivo e um theremin valvulado, tocado pelo grande "thereminista de Hollywood", Dr Samuel Hoffman. Compare o som do órgão eletromecânico com o novachord, e compare também o theremin valvulado com o transistorizado:




MAIS VÍDEOS

Galeria de vídeos específicos e históricos do Novachord:


Demonstração lenta em vídeo de um novachord plenamente restaurado:
http://www.youtube.com/watch?v=vhx0C-zK4wU

Demonstração do Novachord em 1939 no New York World's Fair, inclui vídeos preto e branco de vários novachords tocando junto:
http://www.youtube.com/watch?v=2puK4Z967kU

Música de 1940 com acompanhamento de novachord e outros instrumentos:
http://www.youtube.com/watch?v=KsWmfljeIq0

Arthur Young no Novachord acompanhando a cantora Vera Lynn em 1939:
http://www.youtube.com/watch?v=7JEx6guMs6k

Música de Les Baxter, Space Escapade, onde você ouvenovachord e outros instrumentos:
http://www.youtube.com/watch?v=mNUaLLyxzfM
O mesmo também compunha para theremin:
http://www.youtube.com/watch?v=uj2xM-URgKo

Novos Horizontes, estrelando um novachord:
Parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=xC1pXjcgp78
Parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=CMJmu-eG1nk

Billy Mayerl demonstra seu novachord na TV britânica em 1941 (a partir dos 2 minutos):
http://www.youtube.com/watch?v=IJs5meWrntc

Aqui uma peça de concerto escrita para o Novachord e orquestra de câmara:
http://www.youtube.com/watch?v=UUNl4rFhJIg

Temos muito bons vídeos no YouTube, de restauradores, experimentações, trilhas sonoras, trechos de documentários, etc., pra dar uma geral acesse: http://www.youtube.com/results?search_query=Novachord&search=tag


CONCLUSÃO

De todos os instrumentos eletrônicos primitivos (anteriores a 1940) SOMENTE o theremin nunca entrou em "extinção", porque é super simples de se fabricar e rapidamente se adaptou ao solid-state, deixando suas válvulas de lado. Por isso dizemos que o theremin é o instrumento eletrônico mais antigo que perdurou até hoje sem ser peça de museu ou sem cair no esquecimento geral. TODAS as décadas tiveram som de theremin nas trilhas de filme, nas vinhetas, etc. Pena que o mesmo não se deu com outros instrumentos eletrônicos como o Trautonium e o Novachord.

Adoro ver esses instrumentos ressurgindo, tocando no rádio, vendendo CD, etc. Agora ninguém precisa ouvir os eletrônicos primitivos em disco de vinil arranhado, já que podemos ouvir os mesmos em qualidade WAV! A história da música eletrônica não está mais nos livros, está na mão de gente viva e nos nossos ouvidos ao alcance de um clique! Quem tiver com dinheiro sobrando e puder viajar pode ver isso tudo funcionando pessoalmente, ou quem sabe até comprar um instrumento eletrônico de 1940! Um dia eu chego lá. Olhem sempre o e-bay, crianças!

O extremo grave

Por Silas Cordeiro Pascoal. Fevereiro de 2010. 
Ao citar, favor identificar o autor e linkar a fonte.
Link curto: http://migre.me/403dS


Os sons graves ganham cada vez mais fãs devido à riqueza de harmônicos e à intensa vibração, envolvendo nosso corpo como um todo, além de serem mais imponentes e não irritarem aos ouvidos como os sons agudos. Instrumentos baixos, além de ressoarem melhor no nosso corpo e serem mais agradáveis, possuem uma extensão maior, ou sejam, mais possibilidades de notas.

São marcantes também por seu tamanho gigante. Por exemplo, clicando aqui pode ver uma guitarra portuguesa 20 vezes maior que a convencional, feita com os mesmos materiais, que soa em registro de baixo. Mas existem raras exceções: um simples cano de PVC pode fazer vibrações tão graves que vc só ouvirá as batidas-por-minuto, tu tu tu tu tu tu. A propósito: vc pode fazer vocal fry, não pode?

Vários instrumentos musicais "acústicos" (não eletrônicos, não elétricos) são capazes de produzir sons poderosos, alguns bem próximo do limite da audição humana (lá pros 16Hz) - e outros até abaixo disso. Tem instrumento que devia ser registrado no sismógrafo. A gente não ouve com clareza abaixo do piano, mas o nosso cérebro constrói a percepção de frequências a partir dos harmônicos, de acordo com nossas limitações.

Os rótulos pra classificação instrumental variam de acordo com a família do instrumento, mas via-de-regra, do agudo pro mais grave se chamam:

Baixo

Contrabaixo
Subcontrabaixo [ou Octobass/DoubleDoubleBass, dependendo da família]
Hyperbaixo [ou Hypercontra]
Fonte: a inesgotável e infalível wikipedia^^

Vou listar aqui uma galeria, começando pelo sopro, depois cordas, e finalmente os eletrônicos. Vou pular percussão - mas adoro bumbos, gongos e tímpanos também. Quem tirar um tempo para ler e assistir os exemplos, vai enriquecer seus ouvidos além de sanar curiosidades e comparar timbres e sonoridades. USE BONS FONES DE OUVIDO.



Vou usar a cifragem de frequências/notas científica ou americana, assim:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/Pitch_notation.png
Abaixo disso, fica C-1, C-2, etc. Tabela de frequências de acordo com a nota: http://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_pitch_notation#Table_of_note_frequencies



SUMÁRIO

Instrumentos de sopro:
- Órgão de tubos
- Flauta doce
- Flauta transversa
- Clarinete
- Saxofone
- Contrafagote
- Tubas
- Baixos profundos

Instrumentos de corda:
- Piano
- Octobaixo
- Sub-baixos elétricos


E os eletrônicos?
Bônus: subarmônicos




BOA LEITURA





INSTRUMENTOS DE SOPRO

O "rei dos instrumentos", o órgão de tubos, sem nenhuma modificação sonora elétrica ou eletrônica, pode gerar até 8Hz, abaixo da audição humana. Na verdade, o único órgão no mundo que faz esse som claramente e com força é o Hill, da Sydney Town Hall, na Austrália. Nos tubos mais graves cabe um homem adulto dentro, parecem chaminés. Olha o tamanho do organista (gordo) abaixo dos tubos maiores:

http://www.theatreorgans.com/sydney/sydney5.jpg
http://www.theatreorgans.com/sydney/sydney3.jpg
Essa imagem é a metade da caixa de ressonância pra CADA tubo grave daquele órgão.

No seguinte vídeo o organista toca um D-1, 9Hz, aos 27 segundos:


Esse outro tem um registro 128'' que garante sons muito graves:

Augsburg, Alemanha. Aos 50 segundos ele ativa o "registro terremoto".

Órgão de teatro (eletrônico), experimental, indo até 4Hz:

Você não consegue ouvir, os microfones não pegam, mas tudo em volta treme...






http://www.contrabass.com/pages/recorders.jpg
Flauta doce subcontrabaixo em dó (instrumento original do renascimento, restaurado):


Flauta doce subcontrabaixo em fá, ainda mais grave (três metros e meio de altura):






http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Maria_doublecontra_jpg.jpg
Flauta transversa subcontrabaixo (original metálica):

Outra flauta subcontrabaixo porém de pvc:


Site de performer e fabricante de flautas transversas super graves e gigantes:
galeria de audio http://www.lowflutes.com/music.html
partituras http://www.lowflutes.com/new_music.html




http://www.jayeaston.com/galleries/clarinet_family/low_clarinets.jpg
Clarinete contrabaixo (mais baixo que o clarinete baixo):





http://mob139.photobucket.com/albums/q293/happyjazzy/music%20forum/ContrabassSax.jpg?t=1241992708
Saxofone contrabaixo (mais grave que o sax baixo):







Um instrumento beeem mais comum e tradicional, o contrafagote (que Beethoven já usava, inclusive na Nona Sinfonia):


Aqui temos o começo do segundo concerto pra piano de Ravel, com um solo de contrafagote acompanhado apenas pelos contrabaixos tocando ambos suas notas mais graves (começa aos 15 segundos):


http://www.classicaonline.com/glossario_strumenti/immagini/giant_tuba.jpghttp://farm1.static.flickr.com/9/12766770_3016bc9975.jpg
E as tubas, dentre outros metais que dispensam apresentações e exemplos - podem soar extremamente grave:




E a vox humana, é claro, onde homens com voz natural extremamente grave são chamados "baixos profundos". Casey Moo canta as primeiras notas graves do piano:







INSTRUMENTOS DE CORDA

http://www.stevesclassiccars.com/images/Bosendorfer-7-23-02-2.jpg
Piano Bosendorfer Imperial 290, com 97 teclas: ele tem muitas teclas ABAIXO de um piano normal, ou seja, mais grave, até 16Hz, o limite da audição humana, confira:

Aqui mais lenta e detalhadamente: http://www.youtube.com/watch?v=JnfcMJwiOHQ

O octobaixo, instrumento que tentaram inserir na orquestra abaixo do contrabaixo que conhecemos, mas acabou não ficando, embora compositores como Berlioz, Richard Strauss, Mahler, dentre outros, tenham escrito para o octobaixo. O contrabaixo orquestral moderno tem 5 cordas, a mais grave é satisfatória para repertório de concerto indo ao C1 (uma oitava abaixo do violoncelo). Todavia o octobaixo original do sec. XIX vai ao C0, 16Hz, uma oitava abaixo do contrabaixo de 5 cordas e duas oitavas abaixo do cello, o limite de nossa audição:


Fiquei sabendo que já existem 3 octobaixos funcionais no Brasil. Obrigado, leitores.


http://jauqoiii-x.com/JK_images/adler_subcontra_bass_text.jpg
Baixos elétricos (guitarra-baixo) com cordas mais graves que o padrão estão ficando populares, indo ao B0 no baixo comum de 5 cordas. Mas tem gente que abusa, indo até 17Hz... Acabou de ser retirado do youtube (estou pesquisando +exemplos p/vcs) mas achei alguns afinados assim, do agudo pro grave: Eb2 Bb1 F1 C1 G0.

Harpas, teorba, cravos, enfim, vários instrumentos de cordas podem produzir sons graves, mas nem todos com qualidade ou com volume (assim como percussão afinada).

Piadinha: como fazer um contrabaixo (de orquestra) ficar afinado?
Basta cortá-lo e transformar num xilofone.

Pra me redimir, um belo solo de contrabaixo comum, orquestral:

E aqui link para um Octeto de Contrabaixos, sigam os uploads.



E OS ELETRÔNICOS?


Bem, hoje em dia qualquer sintetizador gera sons extremamente graves. Você faz isso aí no seu computador sem grandes esforços. Aí a limitação é o amplificador, bla bla bla. Instrumentos eletrônicos primitivos como órgãos eletromecânicos, trautônios, ondas martenot, etc. tinham algumas dificuldades para gerar sons extremamente graves, a começar pelo amplificador, passando por questões de timbre também - e alguns saíam sons complexos, gongos, ruídos, muito anasalados, e não uma nota que se pudesse usar na música temperada. Isso sem contar que muitas vezes saía aquele som indesejado de motocicleta rítmica... tu tu tu tu tu tu

O theremin, enquanto um conjunto de osciladores, gera essencialmente qualquer frequência que possamos ouvir, mas os virtuosos vão apenas de 20Hz a 4KHz (E0-C8) com domínio do som. Particularmente eu só consegui chegar com controle até 20Hz poucas vezes, após algumas tentativas e muito esforço - e o afinador do lado pra ajudar. É realmente difícil e chato - não pode nem respirar, raramente vamos nessa região. E haja caixa reforçada nos graves pra aguentar pancada!

Solo de theremin "walking bass":

(Pra baixar clique aqui)

Minha demonstração relaxadíssima do grave do theremin, aos 20 segundos:


Na seguinte gravação dos graves do theremin, inicia-se o que tá na partitura, indo depois nas marcações pelo menos ao G0 (24hz):
http://i38.tinypic.com/2agsxky.jpg
Theremin Distorcido nos Graves by SilasCo

Por enquanto é só.

Tem um site de fanáticos por graves com uma tabela de frequências e os instrumentos capazes de produzí-las:

http://www.contrabass.com/pages/frequency.html

De lá tirei boa parte do conteúdo desse apanhado.

Me ajudem se eu não mencionei algum instrumento grave.

E agora vivam mais felizes sabendo que linhas de baixo podem ser escritas pra dezenas de instrumentos com diversas "tocabilidades" e sons.


*****

BÔNUS

Vc sabia que existem subarmônicos? Isso mesmo, em inglês, subharmonics, harmônicos que em vez de serem mais agudos, são mais graves que o som fundamental. Eles dificilmente soam junto da fundamental nos instrumentos convencionais, mas com tratamento especial podemos fazer eles aparecerem. São mais um fenômeno acústico do que um "som parcial" em si. Não sou expert no assunto, mas aí vão alguns links, pra ouvir e acompanhar a leitura:

"Concerto pra violino com subarmônicos", Cadenza
audio:
http://homepage.mac.com/marikimura/MAIN/Risset-Cadenza.mp3
partitura (violino solista):
http://www.scribd.com/doc/27063554/Risset-Cadenza
Download links: page 1, page 2.

Jean-Claude Risset, compositor
Mari Kimura, violinista subarmônica: http://web.me.com/marikimura/Site_2/main.html

Esse troço mais grave que uma viola é um violino comum, com afinação comum, tocado de modo a extrair harmônicos graves - subarmônicos. Se vc gostou desses sons bizarros, é bom começar a pesquisar sub-harmônicos. Tem material na web e é muito interessante.

Vc não está doido: é realmente possível fazer uma corda soar uma oitava abaixo sem nem sequer mudar sua afinação nem usar recursos elétricos/eletrônicos:


(a partir de 1 minuto a baixaria)


UPDATE: playlist
https://www.youtube.com/playlist?list=PL960CD0152FAA0DAD