18 de abr de 2011

Método Sexton

Faz um tempinho que comprei pelo Amazon o Method for the Theremin, de Robert B. Sexton. Consegui um usado, primeira edição, autografado pelo autor, ótima qualidade, por uns 40 dólares. É o volume 1 de uma série que pelo visto não foi nem será continuada, então o livro é bem focado no básico do básico mesmo.


SEXTON, Robert B. Method for the Theremin. vol. 1. Austin, Texas: Tactus, 1996.

O livro é fino mas tem exercício pra caramba, tudo muito coerente, e musiquinhas tipo Greensleves e arioso de Bach, muito agradáveis. Segue a mesma tradição de exercícios já publicados antes por Rockmore e Kavina, porém traz uma visão muscular totalmente diferente, dando muita ênfase ao braço e antebraço, e criando um arco esquisito no ar.

O legal é que me parece bem mais humano, partindo do Moog Etherwave Standard e não sugerindo nada supereróico tipo que você domine o instrumento virtuosisticamente ou eruditamente. Legal também alternar sempre leitura entre claves de sol e de fá, ao contrário de tantos métodos que deixam o thereminista preguiçoso de ler diversas claves. Depois escrevo mais sobre esse método.

14 de abr de 2011

Paulo Beto na Virada Cultural 2011

Na Virada Cultural 2011, o Museu da Imagem e do Som [MIS] apresenta a performance audiovisual Theremin Concerto, do artista Paulo Beto.

O espetáculo traz ao público o peculiar instrumento eletrônico Theremin, inventado aproximadamente no ano de 1919 pelo cientista e músico Leon Sergeivich Thernen. O instrumento foi largamente utilizado como efeito sonoro nos filmes de terror e ficção científica americana produzidos na década de 1950, como marca registrada de seus momentos mais assustadores e sobrenaturais.

Durante a apresentação, Paulo Beto mostrará o funcionamento do instrumento e tocará de forma intuitiva o Theremin. O espetáculo se assemelha a um concerto erudito, com seus três movimentos - andante tenso, adágio funesto, presto furioso -, e mostra o alcance sonoro do instrumento nas cortantes e arrepiantes frequências agudas. Imagens projetadas formarão um vídeo cenário e contarão de maneira ilustrada a história do Theremin, do seu inventor e o contexto das culturas pop e erudita.

http://www.mis-sp.org.br/icox/upload/calendar/710_0_img_event_im_grande.jpg

Sobre o artista
Paulo Beto é músico, compositor e sound designer. Residente na capital de São Paulo, vive cercado de sintetizadores analógicos, uma coleção de vinis raros, computadores e outros instrumentos eletrônicos.


Kinolounge: Theremin Concerto
espetáculo / performance / música
16abr2011 sab, 23h
auditório MIS
ingresso: gratuito

FONTE [copiado integralmente de]: http://www.mis-sp.org.br/icox/icox.php?mdl=mis&op=programacao_interna&id_event=710

Bora pra SP?

OBS: não será esse o único artista nem a única apresentação de theremin na Virada Cultural 2011, fiquem ligados!

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ATUALIZAÇÃO 17/04 ou "o dia seguinte"

Bom, eu não estive em SP, estou aguardando gravações da apresentação do Paulo Beto, que aumentou em aproximadamente 13% a produção internética brasileira sobre theremin. Parabéns!

PAULO BETO FOI SUCESSO

Rolaram vários anúncios durante a semana no twitter:
https://twitter.com/mis_sp/status/59384167414251520
https://twitter.com/homedocanal/status/59213203137241088
https://twitter.com/homedocanal/status/58569005933412352
https://twitter.com/Labirintomusic/status/59345429183209472
https://twitter.com/Instituto_SM/status/58182854638702593

https://twitter.com/josepelegrini/status/59204173438259200

Viram:
https://twitter.com/enoblogs/status/59417316609363968
https://twitter.com/leontjr/status/59414149821775872
https://twitter.com/leontjr/status/59413899505709057
https://twitter.com/leandroide/status/59416517577670656
https://twitter.com/cinesil/status/59440169505390593
https://twitter.com/rbpavam/status/59470053334200320

etc. - isso pra não falar dos blogs, etc.

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Um vídeo, finalmente:




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ATUALIZAÇÃO 23/04 ou "páscoa antenada"

Uma outra apresentação com theremin que repercutiu bem foi na Virada Cultural 2011 do duo de eletronica Leftfield, na segunda dia 18 de abril: 1 http://bit.ly/fx0jQl 2 http://bit.ly/fI9yGd 3 http://bit.ly/hNvQtW 4 https://twitter.com/LeftfieldTour

Não podemos esquecer também que a @Rita_Lee fez a abertura da @Virada Cultural 2011. Para quem tá boiando sobre o trabalho dela com theremin, temos um post introdutório aqui: http://teremin.blogspot.com/2009/01/rita-lee-tocando-teremin.html

Demais músicos que usaram theremin no evento serão revelados assim que tivermos material youtubado e talz.

7 de abr de 2011

Exposição oral em Iniciação Científica

Olá queridos leitores,

A Faculdade de Música do Espírito Santo [FAMES] realizou, de 6 a 8 de abril de 2011 sua I Semana de Iniciação Científica (Links: 12345, 6). Desculpem não tê-los convidado, é que até a véspera do evento eu não sabia se meu trabalho tinha sido deferido, e também não sabia que dia e hora seria minha apresentação.


Apresentei, às 14h de 07/04/2011, um trabalho intitulado O Solfejo como fundamento da Performance Musical: Reflexões sobre a técnica do Theremin, no grupo de trabalhos de Tecnologia e Música, sala 301. A apresentação foi um sucesso, a mais demorada e a que mais estimulou a imaginação e os questionamentos do público, que queria mais informações e propostas.

Agora estou aguardando a publicação do trabalho, até a qual ele deverá ser revisado e melhorado, e depois da publicação, disponibilizarei aqui o texto integral, slides, etc. Já ganhei o certificado pelo trabalho desenvolvido, o que certamente vai pro meu Lattes. Manterei vocês informados. Fico feliz de estar contribuindo para a produção acadêmica sobre theremin no Brasil, em comunicação com a educação musical e a performance musical. Segue fotinha do certificado [clique para ampliar]:


2 de abr de 2011

Recital no Conservatório Carlos Gomes, Belém/PA

No dia 30 de março de 2011 houve um recital de theremin e piano na sala Ettore Bosio, no Conservatório Carlos Gomes, Belém/PA, com o thereminista Leonardo Venturieri [youtube; twitter; myspace; IMDb; facebook] e a pianista Leandra Vital [fonte]. Tenho aqui o link pro convite e uma fotinha [créditos 1; 2] pra vcs babarem:

http://i.min.us/jmQ6wy.jpg


Vamos assistir três peças do recital do Leonardo, começando pelo coração nacional, o Villa-Lobos, transcrito para theremin:




O Leonardo é FODA. Não preciso nem falar do currículo do cara, basta googlar aí [1, 2]. Ele compôs ano passado a sua "Sinfonia Atômica", que inclui dois solos de theremin (estamos aguardando publicação). Sou automaticamente fã dele - e quem sabe seja seu futuro aluno (não quanto ao theremin, quanto ao "resto", digo, o conjunto como um todo). Dá esperança de viver quando encontro no Brasil pessoas como ele! Outra fotinha e vídeo dele, porém em estilo experimental/improvisativo:

http://i.ytimg.com/vi/nxR2LN1RZwY/0.jpg
Ele merecia uma postagem só pra ele, mas vamos falar de mais brasileiros thereministas.

Existem muitos thereministas melódicos no Brasil. Sério mesmo. Parece que são tímidos, ou falta motivação mesmo. Vamos promovê-los gente, independentemente do estilo. Sabendo de algum músico brasileiro que use theremin [exemplo - link], podem me mandar o material que eu posto aqui! Existem muitos brasileiros fazendo arte com theremin, dos quais pouco ou quase nada podemos falar. Por exemplo, sei que Berna Ceppas tocou theremin na faixa 02 do disco Eu e meu Guarda-Chuva (Branco Mello, 2001, Editora Globo). Mas não estamos aqui pra stalkar todos os que venham a usar theremin; só queremos divulgá-los e incentivá-los.

Por exemplo, outro dia alguém do sul do Brasil me relatou que tinham montado um kit por lá. Não sei se corresponde ao PAiA Theremax do seguinte vídeo do RS, mas isso é bem comum, brasileiros comprando e montando kits de theremin; o problema é que desistem ou enjoam do instrumento logo, ou tratam apenas como brinquedo. Não é o caso do grupo Ex-Machina, que a seguir toca theremin com CV/Gate na abertura do programa Sonora Tribo (TVe/RS):


Gente, vamos thereminizar o Brasil, levar magia e arte de primeira por esse país bonito por natureza. Um mundo de possibilidades sonoras que o Brasil precisa conhecer.

1 de abr de 2011

Bianca Jhordão (Banda Leela) fala sobre o Theremin

A TV Trama produz pela TV Cultura um programa chamado Radiola com um quadro intitulado Meu Instrumento. Tudo fica disponível no canal do Youtube TramaRadiola pelo título: "Meu Instrumento - Theremin - Trama/Radiola 21/10/09". A Bianca Jhordão, vocalista da Banda Leela gravou sobre o Theremin lá dia 21/10/09, demonstrando o seu Moog Etherwave Standard e falando sobre o instrumento. O vídeo tem popularidade no YouTube, sendo replicado por diversos usuários do site. Não há dúvidas sobre a qualidade da banda Leela ou sobre o talento da Bianca. Sem contar que ela é linda, e fica muito bem em vídeo. Espero algum dia conseguir ser tão artista quanto ela, tanto ao vivo quanto na telinha.

http://spb.fotolog.com/photo/27/14/90/cahrolziath/1256844893787_f.jpg

Eu relutei muito em publicar essa postagem, mas não pude fugir ao dever. Eu tenho que falar a verdade pois tenho um sério compromisso com a pesquisa e performance no theremin; não é uma questão pessoal, é uma questão de ética profissional. Não tenho nada contra a artista citada, que isso fique bem claro - pelo contrário, admiro o trabalho dela em utilizar o theremin e sinto uma profunda gratidão. Repito, não sou contra o trabalho dela, e vou fazer o possível pra não soar indelicado ou ofensivo. Apenas afirmarei  profissionalmente que ela deveria se informar melhor antes de dar entrevista ou gravar matérias sobre o theremin, para não vir a queimar o seu próprio filme e se arrepender mais tarde, ou, pior ainda, trazer danos à imagem do instrumento.

Eu gosto muito que exponham o theremin na mídia informalmente, mas nesse caso ela deu uma aula sobre theremin, sem ter o mínimo de domínio do assunto! Se quer dar aula sobre um assunto e deixar gravado pra toda eternidade num programa de TV, estude primeiro! Vamos difundir informação, ao invés da desinformação! Eu vou corrigir [quase] tudo de errado ou mentiroso que está no vídeo. Vamos assistir:

http://www.youtube.com/watch?v=A0HGwcwIp80
Link alternativo http://www.youtube.com/watch?v=GBLKj2d0iC4



Vou indicar o ponto aproximado em minutos e segundos em que se inicia o trecho citado, e vou transcrever a fala dela entre "aspas" e em vermelho e em seguida corrijo e comento. Só leia se você realmente está interessado[a] em aprender sobre theremin.

O video abre com ela tirando do case o Moog EWS, então começa o discurso:

0:57 "O theremin (...) tem um conceito bem original"
Que conceito? Ela se refere à interface, eu suponho. Sobre o assunto, eu sugiro a leitura do artigo:
RASHLEIGH, Patrick. The Double Revolution of the Theremin: Musical Instrument Interface Innovation in the Ages of Analog and Digital Electricity. Toronto, Canadá: York University, 1998. Disponível em: <http://www.yorku.ca/beckwith/Rashleigh.html>.

0:59 "e é o único instrumento que responde continua e imediatamente com o movimento das mãos..."
Isso é evidentemente uma citação incompleta do que Robert Moog diz na fala de abertura do DVD:
MASTERING The Theremin. Direção: William Olsen. Intérpretes: Lydia Kavina; Robert Moog e outros. Música: Lydia Kavina e outros. Carolina do Norte: Little Big Films, 1995. 1 DVD (45 min), janela acadêmica 1.375:1, colorido. Russo e Inglês Americano. Vídeo educativo produzido por Moog Music Inc. em parceria com Little Big Films.
A diferença é que o Bob Moog fala algo a mais, vou transcrever: "It's the only instrument that I know of which responds directly, continuously and immediately to every motion of the performer's hands." Ora bolas, por que diabos o santo Moog usou três termos distintos para a definir a resposta do theremin (direta, contínua e imediata)? Vou tentar ser breve:
  • A resposta do theremin é direta, pois o movimento em si é transformado em som analogicamente, sem nenhuma correção digital e sem necessidade de o músico encostar no instrumento, permitindo que, virtualmente, não haja desperdício ou projeção inaproveitável de energia muscular, como nos instrumentos tradicionais.
  • A resposta é imediata, pois o cérebro humano não percebe as frações de segundo entre o movimento do músico e a resposta sonora vinda do amplificador. Nos demais instrumentos musicais, o músico prepara o ataque e o direciona. No theremin, qualquer intenção de movimento já é uma atitude musical, não há preparação muscular que não produza som, portanto, a resposta é imediata a qualquer movimento.
  • A resposta é contínua, pois o instrumento é microtonal e exige que o músico “toque as pausas” (para evitar constantes glissandi) – de fato o theremin só pára de responder ao músico e ao ambiente quando desligado da alimentação elétrica, pois, estando ligado, reage constantemente ao ambiente e ao músico, alterando parâmetros (frequência e amplitude).

1:05 "...por isso é importante que a gente ouça bem pra encontrar as notas certas."
Ela não toca notas musicais. Seria mais apropriado demonstrar um trecho de melodia tocada ao theremin, e não apenas efeitos, como ela fez. Existem basicamente duas grandes linhas de uso do theremin: o uso melódico, que é o que eu faço, e o uso como efeitos, que é o que ela faz. Ambos os usos têm o seu lugar. Como efeito e para finalidades experimentais como a Bianca toca, não existem "notas certas" nem melodia - ela se confundiu aí.

1:21 "Com as mãos a gente controla os dois comandos principais do theremin: a dinâmica e a tonalidade"
Ela está fazendo isso errado (a demonstração). Vou dar uma dica. Para demonstrar dinâmica, use um tom estático, para que o público entenda, e explore os limites do campo da antena de volume. Para demonstrar frequêcia [não é tonalidade], jogue a batida zero para perto de seu corpo. Gostaria de saber também quais são os "comandos não principais" do theremin, já que ela falou apenas dos "dois principais" nesse vídeo. Que eu saiba, esses são os dois únicos parâmetros que o theremin permite controlar gestualmente.

2:07 "As notas estão no ar e a gente não tem exatamente uma posição certa. Você tem que encontrar essas notas de ouvido, treinando muito, que... você ouve que quanto mais próximo fica agudo..."
Perfeito! Agora vamos praticar isso?

2:22 "...mas você precisa treinar pra poder encontrar o seu próprio ritmo e o seu próprio som."
...mas você precisa estudar pra encontrar o conhecimento e abandonar o palpite - pelo menos na hora de gravar video-aulas, para usar termos musicais adequados.

2:29 "Uma das técnicas pra tocar o theremin é o vibrato"
Vibrato é recurso expressivo, não "uma técnica", conforme a literatura do instrumento.

2:32 "...porque se tivesse o som puro, fica muito sem graça, né?"
Som com reverb, como ela usa, não é puro ou cru. Ela não consegue segurar uma frequência qualquer para que o ouvinte preste atenção no timbre - que está sempre modificado por reverb, portanto, não é puro, independentemente de vibrato. O vibrato não tira a pureza do som do theremin, não é uma modificação essencialmente tímbrica; é apenas um recurso expressivo.

2:38 "Então, pra fazer o vibrato você precisa mover o seu pulso como se fosse dando um tchauzinho, com mais intensidade ou menos dependendo da música."
Na verdade ela faz trilos, e não vibrato. Vibrato não pode ser amplo nem impreciso assim, e não se limita ao quesito frequência (que, erroneamente ela chama de "intensidade" e demonstra como sendo mais rápido ou mais lento). Enfim, ela não sabe o que, de fato, constitui um vibrato, de modo a deixar claros seus atributos tais como freqüência, extensão, localização, etc. Sugiro a ela usar um LFO qualquer, que cansa menos e faz tudo que ela faz com esse tchauzinho, de vibrato a tremolo. (Na verdade ela mais avante vai demonstrar que já usa).

2:56 "Uma outra técnica é a do staccato"
Ela não demonstra nenhum staccato, chega até perto, mas com essa sensibilidade na antena de volume, ninguém consegue tocar staccato de verdade. Ela devia regular a antena de volume antes, pra criar um envelope sonoro digno de ser chamado staccato. Waveform menos senoidal e brightness mais aberto geram um staccato mais legítimo, dando mais agressividade ao ataque e ao corte.

3:10 "A posição também é muito importante e influencia no som do theremin. Se você quiser um timbre mais grave, você se posiciona em frente à antena da esquerda"
Alguém regula esse theremin, pelo amor de Deus? [Já ensinei aqui antes - link] Ela não sabe o que está acontecendo! O campo do theremin dela está tão compactado que está dando inversão nesse momento, a mão dela passa claramente pela zona negativa, pela batida zero e depois finalmente entra na zona positiva, que é o único lugar que interessa a um thereminista de verdade, sendo o único lugar possível de fazer música! A propósito, "timbre" não é o termo adequado, creio que "registro" ou "tessitura" seria.

3:41 "Você precisa afinar o seu ouvido no som do theremin pra achar a nota certa."
Ao contrário, afinamos o theremin de acordo com o ouvido, e não vice-versa.

3:59 "A posição dos dedos também  muda quando você vai fazendo, abrindo a mão, vai ficando mais grave e você vai passando pelas notas"
Pelo contrário, absolutamente TODOS os métodos de theremin publicados até hoje (em livro e em DVD) indicam abertura de dedos para notas mais agudas, por exemplo:
ESTRADA, Victor. Ejercicios progresivos para theremin. 2. ed. v. 1. [S. l.: s.n.], 2006. Disponível em: <http://web.mac.com/estudioserin/victorestrada/Theremin.html>.
EYCK, Carolina. The Art of Playing the Theremin. Berlim: Servi, 2006.
ROCKMORE, Clara. Method for Theremin. Revisão por David S. Miller e Jeffrey McFarland-Johnson. Shreveport, Louisiana: [s.n.], 1998. Disponível em: <http://www.electrotheremin.com/claramethod.html>.
SEXTON, Robert B. Method for the Theremin. vol. 1. Austin, Texas: Tactus, 1996.


4:11 "Qualquer mudança de dedo ou de abertura das mãos muda totalmente o som."
Pura verdade! Mas ela não está ciente disso na prática, nem sequer tem uma postura corporal firme, e, com o campo elétrico configurado do jeito que está no vídeo, é impossível fazer uma melodia; é necessário afinar o instrumento primeiro. Uma vez que ela não se posiciona da forma necessária pra se tocar uma melodia ao theremin, falar de dedos, que são menos importantes que o corpo como um todo, é papo furado. Aliás, não precisa entortar a mão assim pra ficar fazendo esses efeitos e glissandos indefinidos pra frente e pra trás; dedilhado não é necessário pra esse tipo de exploração experimental do theremin. O que seria necessário, antes de tudo, seria um enorme treinamento auditivo, para desenvolver um controle fino dos sons do theremin a partir da percepção musical. Aí sim entram os gestos e dedilhados minuciosos.

4:35 "Eu uso a minha pedaleira de guitarra ligada no theremin pra eu ter mais texturas de som, então eu uso o tremolo pra deixar o som mais staccato; também uso um digital delay pra deixar o som maior, com mais reverb; e assim eu posso brincar com as texturas e os timbres pro theremin, pra não ficar só no modo básico dele."
Sem comentários. Sério mesmo, me recuso a comentar; é muita vergonha alheia. Detalhe: ela é guitarrista, deveria saber a diferença entre delay e reverb, entre tremolo e staccato.

5:34 "O theremin é um instrumento clássico..."
AMÉM! Está perdoada! Sério mesmo, esqueci todas as burrices que ela falou antes disso!

5:36 "...antigamente ele era usado tocando junto com piano, assim, haviam recitais. Mas depois o pessoal começou a usar no rock, e o Brian Wilson, com os Beach Boys, começou a usar o theremin na música Good Vibrations..."
Merda, estragou tudo de novo. "Antigamente"? A cada semana novas peças de música erudita são compostas para theremin e piano, theremin e conjunto de câmara, theremin e orquestra, etc. Nós não temos culpa se a Bianca Jhordão é desinformada e fala de acordo com o que ela imagina, mas tenho que informá-la que sua imaginação está errada ao afirmar que "antigamente o theremin fazia recitais com piano". No Brasil pelo menos uma dúzia de thereministas faz recitais no estilo clássico por aí, basta ver os arquivos do blog. Ela deve ter assistido os vídeos da Clara Rockmore tocando em seu duo theremin-piano, e concluiu que todo o theremin erudito acabou ali. A propósito, a música Good Vibrations dos Beach Boys não usa theremin, mas uma emulação de theremin chamada "tannerin", que é tipo um precursor do ribbon controller. Aliás, no geral ela dá a entender que o theremin erudito é coisa do passado e que o theremin na música rock é o que há hoje em dia, como se fosse continuação do que Clara Rockmore fazia. Ledo engano. Percentualmente, a maioria dos thereministas que tocam hoje no mundo se dedicam ao estilo "clássico" (erudito), e não ao rock ou à música popular. O theremin possui várias vertentes, e seria ingenuidade sugerir que o erudito feito em duo com piano morreu e evoluiu pro rock.

5:49 "...depois Led Zeppelin usou naquele filme 'The Song Remains The Same'; Pixies também usou, e agora o Leela, que é minha banda, usa theremin também."
Ufa, essa parte podem confiar, é pura verdade, Led Zeppelin [Jimmy Page] improvisou efeitos num theremin de uma antena só na música Whole Lotta Love, e os Pixies, dizem por aí, usaram theremin na música Velouria; deve ser o que identificam a partir de 3:08 em http://www.youtube.com/watch?v=PHhox4_SeHQ mas eu ainda não analisei com calma.

5:58 "Quando você liga o theremin, ele já ativa o campo magnético e começa a produzir o som sozinho."
Errado, ele SEMPRE produz o som de acordo com a interferência ambiental, mesmo que nenhum ser humano esteja conscientemente interagindo com ele. Logo, pela essência do heteródino, é impossível um theremin produzir som por si mesmo ("sozinho"), sem se basear em qualquer variação no ambiente à sua volta. O músico e o ambiente imediato às antenas fazem parte do circuito, integrando-o (CHARLTON, 2008, p. 7).
CHARLTON, Gordon. The Beat Frequency Method. [S. l.: s.n.], 2008. Disponível em: <http://scribd.com/doc/12949949/>.

6:08 "Pra parar, você precisa colocar a mão na antena da dinâmica."
...ou acionar um mute switch, ou colocar o cabo sobre a antena de dinâmica, ou simplesmente entrar na batida zero. São várias possibilidades; importante saber usar (coisa de thereminista profissional). Engraçado que no começo a gente sempre se assusta com o fato de o theremin produzir som constantemente e espontaneamente!

6:12 "Tem o volume, né, todo mundo sabe, o volume"
Errado. O "volume" do theremin não é o volume que todo mundo sabe, não é um "level-out" nem nada que vá de zero ao máximo; é o controle de sensibilidade da antena de volume (ou de dinâmica, chame como quiser). O controle de sensibilidade da antena de volume vai muito além de um controle linear do mínimo ao máximo (que é o que todo mundo conhece), pois envolve aspectos gestuais e espaciais. Ela não é capaz de explicar como se regula a sensibilidade da antena de volume através do botão giratório [knob], ou como o músico interage com o campo daquela antena curvada. O assunto é amplo, quem sabe em breve eu discorra sobre isso didaticamente em vídeo ou texto por aqui mesmo.

6:16 "O pitch é pra ver a tonalidade, se você quer usar mais grave ou mais agudo."
Ela não sabe o que é tonalidade. Podia corrigir conceitos musicais fundamentais. O botão pitch muda a tessitura e/ou registro, não a tonalidade.

6:28 "E tem o brightness, que é o brilho, ele pode ficar com o som mais velado ou um som mais aberto, mais brilhante, né."
Linda explicação! Vou passar a falar assim daqui pra frente: "velado". (Sem ironia gente, gostei mesmo.) Ah, detalhe, ela pulou waveform. Será que não tinha nada pra falar sobre?

6:41 "Pra transportar o theremin é melhor você tirar as antenas, e pra isso é mto fácil, basta você rodar aqui o anelzinho, tirou uma antena..."
Anelzinho? Porca ou rosca, sei lá. Enfim, nem todos os theremins possuem antenas fixadas pelo sistema porca-parafuso. Muitos theremins não possuem antenas removíveis, portanto não é possível retirar as antenas para transporte, o jeito é fabricar um estojo/case de acordo com o formato das antenas. Ela possui um lindo case [estojo] para o instrumento (link). Eu carrego os meus em bolsas e mochilas nada apropriadas, por falta de verba pra comprar cases resistentes.

http://vitroleiros.org/wp-content/uploads/2009/07/leela-d-31-copy.jpg


Evidentemente ela se baseou unica e exclusivamente no DVD duplo que vem de brinde junto do theremin que ela usa, a saber, Mastering the Theremin, com Lydia Kavina, e The World's Greatest Theremin Virtuosa, com Clara Rockmore. É uma lástima que ela tenha parado por aí, pois, com sua imaginação, deturpou até mesmo o próprio conteúdo desses vídeos, pois não entendeu plenamente o conteúdo e não pesquisou pra falar com propriedade. Ou seja, além de usar como referência para o discurso apenas dois DVDs, ainda falou errado sobre os mesmos pois não fez um estudo mais profundo; o nome disso é negligência, pra não dizer algo pior. Como eu disse no começo, ela é uma artista admirável, podia estudar um pouco mais pra não ter problemas mais tarde, já que quer assumir a bandeira do theremin, ou pra não cair no
http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Dunning-Kruger

Todavia, fora da falação sem sentido que refutei acima, a Bianca/Leela é ótima em usar o theremin como FX (mais perfeito impossível o clipe):

Moog lança theremin polifônico

http://1.bp.blogspot.com/-PMbLHK3sQbg/TZXuwmSroNI/AAAAAAACRNI/jNdQ2-7lfTA/s1600/image003.jpg

A Moog Music lançou hoje o Etherwave® PolyTheremin, um theremin polifônico. O instrumento possui 5 antenas verticais que não interferem umas nas outras devido a um recurso chamado IsoDirectional Inductive Oscillator Technology (IDIOT), possibilitando controlar as notas dedo-a-dedo diante das antenas.

A garota-propaganda e promotora do produto inovador não é ninguém menos que a presidente da Associação de Thereministas de Nova York, Dorit Chrysler. Ela gravou um DVD, que vem como brinde junto ao instrumento, entitulado “Playing the PolyTheremin is Even Easier Than Playing a Monophonic Theremin” (Tocar o PolyTheremin é mais fácil que tocar um theremin monofônico). O preço inicial é $1,995.00 dólares americanos e, já está à venda para o mundo todo inclusive Brasil. Eis a página do produto [fora do ar]:

Nós sabemos que o theremin é por natureza um instrumento monofônico (capaz de produzir apenas um som, incapaz de produzir acordes) e que o seu inventor, Leon Theremin, sonhava com um theremin polifônico (capaz de produzir várias notas ao mesmo tempo). Não entrarei na discussão dos dedalhes disso, nos lances biográficos, nos livros e documentários que revelam projetos desse sonho de Leon, porque é irrelevante. O que temos que ter em mente agora é esse novo instrumento que foi lançado, o que é possível fazer com ele, o que ele de fato significa, etc. Vamos ao primeiro vídeo de divulgação / demonstração / lançamento do PolyTheremin:



~~~~~~~~~~PRIMEIRO DE ABRIL~~~~~~~~~~
:-)
O Santo Bob Moog deve estar rindo lá do céu, pela brincadeira inteligente de seus engenheiros.
Vive eternamente, Bob Moog!

Papel de parede da brincadeira 1/4/2011, clique pra baixar:
http://www.sonicscoop.com/site/wp-content/uploads/2011/04/Dorit-Chrysler-at-a-Polyphonic-Theremin.jpg